sexta-feira, 11 de março de 2011

JAB

Era alto, esguio, pouco simpático quando estava sóbrio mas jocoso e alegre quando bebia uns copitos! JAB no dia, a dia da aldeia era pacato, mas ao fim de semana aproveitava para se divertir à sua maneira. Num domingo ao entardecer, quando o peso do álcool se começava a fazer sentir, pediu à sua mulher e companheira para que lhe cosesse umas calças, que estavam a precisar de um remendo. Como esta não estaria muito satisfeita com o estado deplorável em que ele se encontrava, negou-se pura e simplesmente a efectuar a tarefa solicitada. Ele não insistiu muito no pedido, abeirou-se dissimuladamente da fogueira que crepitava num canto da casa, acabando por meter as calças dentro duma panela de ferro. Sentado num pequeno banco de cozinha, ia mexendo o conteúdo da panela com uma colher de pau.
-Que fazes homem?- questionou a mulher.
-Estou a coser as calças!!!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Alcunhas

Neste simpático povoado serrano todas as pessoas possuíam uma alcunha e algumas delas até eram bastante engraçadas... Não vou referencia-las aqui mas explicar porque motivo isto acontecia. Os nomes mais vulgares eram José, Maria. Joaquim. Manuel, António. Poder-se-ia distinguir e identificar os habitantes pelos respectivos apelidos, o que não resolveria nada, pois também era uma repetição de Costa, Silva, Pereira,etc. Assim, era muito mais fácil utilizar uma alcunha, que por vezes encaixava na perfeição.

Tio José Pinheiro

Numa localidade do interior pobre e abandonado vivia o Tio José Pinheiro. Ocupava o seu tempo cultivando alguns bocados de terra. Era um homem com uma sensibilidade e astúcia pouco comuns. Certo dia, sentindo a presença de um amontoado de crianças, abeirou-se do grupo e inquiriu um deles:
- Ouve lá ó meu rapaz, chega-te aqui ao pé de mim. Consta por aí, que és muito bom aluno na escola?
- Sou sim senhor. - respondeu o miúdo prontamente.
- Ai sim? Responde-me lá a esta pergunta: O que é a higiene?
-A higiene é a limpeza!!!
- Ai sim, e então porque é que ontem me foste sujar os alhos, seu porcalhão?
(Como seria de imaginar o termo utilizado não foi exactamente "sujar" mas aquele que se emprega em puro vernáculo português, que eu, por razões óbvias, me abstenho de referenciar).

sábado, 26 de fevereiro de 2011

João-Sem-Dúvidas

O João-Sem-Dúvidas era um jovem pouco letrado, com a 3ª classe antiga, mas com uma vontade desmedida de mostrar serviço. Dizia que não havia ninguém que se comparasse com ele a notar uma carta. Perdia-se de amores por qualquer uma rapariga acabada de formar (professora, advogada, enfermeira, etc.) - profissões femininas que na altura não abundavam na aldeia. Assim nenhuma recém-licenciada escapava à sua prosa apaixonada. Apesar das respostas às suas investidas nunca acabarem por surgir, no seu imaginário existia sempre uma confiança impressionante, dando sempre a entender que estava tudo a correr às mil maravilhas. Talvez devido ao facto de ser fumador, apresentava os dentes negros e sem sinais de asseio.Questionei-o se costumava lavar os dentes e se a sua figura pouco atractiva não poderia prejudicar futuros relacionamentos. A sua resposta não tardou, totalmente desprovida de preconceito:
-Não rapaz, foi coisa que nunca lavei e, também não é preciso!!!

Tia Maria Cigarra

Figura pequena e franzina, era incontornável a sua propensão para nos dar umas secas intermináveis, sobre os mais variados temas. A tia Maria Cigarra apesar de analfabeta, surpreendia-nos imenso, pois tinha tudo memorizado e apreendido através da tradição oral e não necessitava de consultar fosse o que fosse para nos "bombardear" durante mais de uma hora com uma quantidade apreciável de cantilenas, lengalengas, orações e rezas. Um dia perguntei-lhe até que localidades ela já tinha viajado, respondendo-me de imediato que nunca tinha saído da aldeia, porque se dava muito mal nos carros e nem a Fátima, nunca tinha ido !!!
Inicio, hoje, neste espaço, um novo ciclo, alterando substancialmente o paradigma de texto que me conduziu até aqui. Dei-lhe o título de " Histórias de Aldeia" pois pretendo fazer o relato de algumas narrações burlescas e caricatas, cujo conteúdo é genuína ficção; deste modo qualquer semelhança com casos reais é pura coincidência.
Um abraço
LD

segunda-feira, 10 de maio de 2010

OI!!

Hoje venho aqui lembrar, que pretendo manter este espaço aberto e disponível como desde o 1º dia...
Um abraço